28 dezembro 2015

Crianças na Fogueira

Vi o filho daquele ator famoso, sendo testado sexualmente.  
Eu sei sobre as acusações de homossexualidade àquela criança, menino, filho do jogador de futebol envolvido em escândalo com travestis.
Soube de um jovem da comunidade que foi levado por colegas a um prostíbulo, e ao chegar sua vez de entrar para um quarto acompanhado por uma moça, fugiu.
A sociedade queima seus meninos e estraga seu direito a pureza, enquanto é seu desejo.
Ávidos por testarem seus filhos, pais homofóbicos deformam mentes juvenis, traumatizam vidas que foram entregues a eles para a sua boa formação, buscando fugir de seus fantasmas e satisfazer os confrades, vampiros ávidos, viciados nas histórias de sexo, tanto quanto o são os dontes por substâncias alucinógenas; sexo sem amor para formar adultos a moda antiga, que sádicos sorriem e alimentam-se também dos escândalos sexuais.
Assim como homens e mulheres não devem ser perdoados por viverem em solitude por escolha, os padres devem forçosamente abandonar o celibato e todos devem alegremente arder e queimar no fogo da carne.
Ai daquele que vira alvo da curiosidade dos vampiros, mas mais desditoso, mil vezes mais desgraçado, é o que age conforme suas regras para ser aceito. 
E do que vale comentar?
Esse é o avesso do que a maioria dos que conheço e respeito, pratica. Besteira, comentar.
Meus filhos não são felizes o tempo todo e têm queixas, mas conforme os eduquei, sabem detectar ciladas do tipo que achei legal comentar nesta reflexão de final de ano, e porque foram respeitados no seu direito a pureza até quando a quiseram manter, será mais fácil negar-se a encenação social da sexualidade exacerbada.
As tentações eróticas são encaradas com humor e de forma crítica, por eles, e desta forma sei que o meu papel eu desempenhei bem, sei, até porque vivo cansada, já que educar em tempo integral é extenuante! 
Desgraçada é a pessoa que vem com o espírito de educadora em tempo integral, mil vezes mais desditosa do que a que abandona os remos do barco e deixa a correnteza da vida a levar com sua família...Será?

15 dezembro 2015

Reserva

Espiritualidade é a potência que é reservada.

Eu Vejo Anjos

Pensava que a maior das bençãos era ter aqueles amigos, mas sofria, sabendo que sua amizade era condicionada a eu abrir mão de ser que eu sou. 
Era sobre dominação, não era amizade. 
Vinham até mim por eu ser que sou, mas só permaneceriam se eu diminuísse meu padrão intelectual para ajustar-me aos deles.
Mas é que eu vejo anjos, e não achava justo para com os que não vêem.
Vinham até mim por eu ser quem sou, mas eu deveria deixar de lado os que não lhe eram caros, por terem outras cores
ou credos,
religiões,
partidos,
agremiações.
Opinião. Crime de opinião. Crime de nacionalidade...de racionalidade.
Mas eu via anjos e sorria ante as imposições.
Então, os que sabiam, copiavam minhas experiências, vendiam minhas informações e me puniam com difamação, exploração e inúmeras violações. Eu estava incompatível com suas pretensões.
Agressões que sempre entendi, afinal, eu vejo anjos e anjos não usam máscaras e não são santos, nem os santos são santos, só, tentam ser anjos dos que não estão em Graça.
Entender agressões e suas motivações, leva-me, quase sempre a tolerá-las por tempo demasiado. O tempo passa de forma diferente para quem vê anjos,
Daqui a pouco tempo completo cinquenta anos desta  vida e encontrei a maior benção. 
A maior benção é poder trocar experiências.
Sigo fazendo licor com o que recebo dos anjos e largando as garrafas no oceano, e cada vez mais, elas retornam vibrando as vozes dos anjos.
Os amigos, são anjos!








18 novembro 2015

Não, Guerra Não! Se puderem distribuir algo, distribuam a fartura!

É sobre as mães. Ao terem conhecimento da gestação e aceitando, mudarem a dieta, abandonarem atividades arriscadas, sem que para isso seja condição sine qua non que sejam partícipes de uma situação econômica privilegiada, uma vez que as comunidades carentes são as que mais se mobilizam e comovem com a chegada de uma nova vida, um ser redentor de sua condição, um símbolo de poder que iguala. Depois...ah, depois o mundo atua, a criança nascida deve ser sustentada, mantida da melhor forma possível e uma mãe frequentemente se vê sem acompanhamento do pai para tal tarefa, nos bairros pobres do Brasil. Então a criança cresce acolhida e educada pela família materna, são tias e avós recebendo o menino que cresce enquanto a mãe sai para buscar o sustento. 
Um rapazinho no mundo, uma mocinha com ideias copiadas da tv, do programa de ideologia sexísta, ou da estrela da novela.
Estas crianças são aparelhadas de celulares e video-games antes de terem o cérebro maduro à forma antiga, então são hiper-conectada. Nem melhor, nem pior do que antigamente, simplesmente diferentes. E apoderadas pela tecnologia que a culpa de uma mãe ausente faz qualquer coisa para proporcionar. Nos grupos sociais com maior acesso a educação e saúde de qualidade, em que a mãe está presente na criação, o início do contato com eletrônicos dá-se um pouco mais tarde, em vista dos conhecimentos sobre formação do corpo, fatores como mielinização dos olhos que acontece depois do nascimento, maturidade mental, e maior valorização do contato com a natureza, ou atividades físicas.
A morte destes jovens frustra a ordem através da qual mantemos a sanidade e não afeta somente as famílias atingidas pela perda. Adoece aos que são informados do acontecimento, Quebra a engrenagem do sistema que nos permite continuar andando, e não é a guerra como muitos preconizam, o fator que catapulta o acesso a novas tecnologias que vão alavancar avanços, após passado "o calor da hora". Se as guerras têm  trazido em seus lastros essas consequências positivas, o acesso livre e democratizado ao conhecimento seria uma opção com semelhantes resultados e livraria as mães da perda de vida de investimento de vida, de possibilidade de viver que a perda dos filhos massacrados em conflitos causa.
Mas quem, durante um conflito,  na hora de eliminar o inimigo, pensa que ele tem mãe? Que ao acabr com uma vida atinge e neurotiza uma mãe e toda a rede que a sustentou para que aquele ser humano chegasse a florescer? Como cactus, ou videira, foi a sociedade que definiu.
Tenho lido e ouvido, estarrecida, declarações divulgadas em massa, de que basta tomar a decisão e estudar para conquistar os direitos que merecemos, quando na verdade o que observo é um sistema de gratificação que destaca somente aquele que serve a manutenção da escravidão dos demais. 
As guerras propiciam avanços tecnológicos que nos levarão às próximas guerras, temos sido premiados com intervalos sensatos para iludir os que devem trabalhar para fabricar armas e condições de apurar os mecanismos, na ilusão de que estamos em paz, mas assim que estamos equipados e ávidos para testar politicamente na carne e nas mentes os novos equipamentos, os mecanismos criados para coibir belicismos deixam de funcionar e o Cérbero convenientemente se solta liberando os filho de cá para imaginar que lá está o avanço e em troca recebemos os demônios massacradores de mães.
Quem garante que ainda hoje a guerra será perdoada e as pessoas não entenderão que estão sendo usadas como cobaias em troca da defesa destes panos que chamam bandeiras, que somente elas respeitam, não seus líderes de tripas forras, conduzidos em limusines blindadas folhadas a ouro?
Cuidado, senhores da guerra, seu cérbero poderá a vir a ser estraçalhado de forma irrefutável, pela revolta dos animais, que hoje, estão hiper-conectados!
Cuidai, senhores da guerra, cuidai para que o cérbero não se solte, pois sabemos que vóis tendes as informações sobre o estado dos elos antes que eles se abram, e embora o ele seja de propriedade de satã se ele se solta, assim como na Revolução Francesa, governos inocentes são tragados pela turba, tão simplesmente por terem se mantido apáticos ante a evidência da insustentabilidade da  situação.
Situação perversa; todos se achando no direito de  racismo, patriotismo irracional, abusar em nome das religiões e sustentar um sistema financeiro gerido de forma inconsequente e digo inconsequente quando poderia aplicar insensível, já que mata aos poucos o corpo do qual precisa alimentar-se. Se antes isso passava despercebido, maquiado, não é mais o caso.
E as mães do oriente entregam seus filhos à morte sem sentir dor da perda? Que mulheres são essas, que mantemos alienadas do direito de amar e preservar seus filhos, em um mundo globalizado em que estes filhos são sacrificados em pira, sacrificando os nossos?
Não, não suportaremos mais uma guerra, perdemos a ingenuidade e não cremos em fronteiras, em que devemos morrer felizes pagando impostos, na miséria, mas "fazendo a nossa parte".
A escravidão deve ser extinta e as mulheres devem deixar de ser úteros para produzir soldados.


30 outubro 2015

Genoma de Prateleira - George M Church

Então, enquanto a maioria negaceia conclusões por falta de embasamento, alguns combatem alegando muito conhecer, outros defendem adivinhando o futuro, o Dr. George M Church, estudou, pesquisou, embasou em experiência e trabalho e se voluntariou a colocar sua informação genômica em domínio público.
Nessa fase disponibilizou seus registros médicos online e um hematologista do outro lado do país, rebateu na hora:
"-Passou a hora de fazer um acompanhamento do seu remédio do colesterol."
Church narra este desdobramento na revista Scientific American no artigo intitulado Genoma de Prateleira.
Ele queria contar tudo, mais, mas a revista não é bíblia, seu formato é padrão, já havia mais gente agendada para publicar e ele ficou com apenas nove páginas que ainda trazem alguns gráficos.
Ele escreve muito bem e claramente, fui grifando alguns pontos que subscrevo abaixo na ordem que estão dispostos no artigo:
"Visão e forças de mercado também impulsionam o desenvolvimento de novas tecnologias. O projeto espacial, por exemplo, começou com um plano do governo, e só muito mais tarde usos militares e civis para os satélites impulsionaram-nos em direção à viabilidade comercial. Para a próxima revolução, que deve ser em biotecnologia, pode-se começar a imaginar quais mercados, visões, descobertas e invenções delinearão seus resultados e que limiares críticos em infra estrutura e recursos a tornarão possível.
...
Seu aperfeiçoamento contínuo já reduziu o preço do sequenciamento de um genoma humano preciso o suficiente para ter utilidade, para algo em torno de 20 milhões. 
...Os obstáculos para essas e muitas outras aplicações, incluindo as que ainda nem foram imaginadas, continua sendo o custo. Dois programas de financiamento dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, para Tecnologias Revolucionárias de Sequenciamento de Genoma desafiam cientistas a desenvolver um sequenciamento de genomas para humanos de US$100 mil até 2009 e de US$1 mil até 2014. é possível que um prêmio, no estilo do X-Prize (criado para incentivar a criação da primeira nave espacial particular do mundo)também seja estabelecido. E essas metas já estão próximas.
...
*O potencial completo da 
biotecnologia só poderá ser realizado quando ferramentas, como a tecnologia de leitura de genoma, forem tão baratas e acessíveis quanto os computadores pessoais hoje.
*Novos métodos de leitura de DNA reduzem custos ao cortar etapas preparatórias, miniaturizar radicalmente equipamentos e sequenciar milhões de moléculas ao mesmo tempo.
*Atingir objetivos de sequenciar genomas a baixo custo suscitará novas questões sobre a melhor forma de utilizar a abundância de informação genética, e por quem ela poderá ser utilizada; o Projeto Genoma Pessoal tenta explorar essas questões.
...
O genoma humano é constituído por 3 bilhões de pares de moléculas de nucleotídeos. Cada uma delas contém um dos quatro tipos de base - Abreviadas como A, C, G e T - que representa um alfabeto genômico codificando a informação armazenada no DNA. Essas bases formam pares de acordo com regras estritas a fim de formar os degraus da escada que forma a estrutura do DNA.
...
Nos melhores métodos baseados em eletroforese, cada dólar é suficiente para sequenciar 150 pares de base.
...
Agora que a automação se tornou comum em todos os sistemas os maiores gastos são com reagentes químicos e equipamento. A miniaturização já reduziu a um bilhão de vezes(de microlitros para fentolitros) o uso de reagentes em relação às reações de Sanger convencionais.
...
Será preciso desenvolver programas para processar as informações sobre as sequências, a fim de que possam ser usadas pelos médicos, por exemplo. Eles necessitarão de um método para derivar uma lista de prioridades para cada paciente, com as possíveis dez ou cem variações genéticas mais importantes. Igualmente importante será analisar as pessoas do acesso generalizado a essa tecnologia.
...
Pensamos em termos de probabilidade sobre riscos versus benefícios e aceitamos que o mercados, como a vida, são complexos.
Assim como a tenologia digital pessoal causou revoluções econômicas, sociais e científicas jamais sonhadas quando os primeiros computadores apareceram, devemos esperar mudanças similarmente drásticas ao avançar dos poucos genomas atuais para os pessoais."

26 outubro 2015

Médici - Transamazônica x INCRA, no livro de Flávio Alcaraz Gomes

"A execução do plano de colonização da a
Amazônia foi confiada ao INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
...
Paralelamente à rodovia Transamazônica e num intervalo de dez quilômetros, serão construídas agrovilas, Essas agrovilas são formadas por 48 ou 64 casas em lotes de 25 metros de frente por 120 de fundos, doados aos colonos. A exemplo do que acontece com os cem hectares cedidos aos camponeses, a casa e o lote são financiados em 23 anos. Cada agrovila terá um grupo escolar, templo ecumênico, pequeno comércio, farmácia e posto médico.  A superfície total de cada agrovila é igual aos dos lotes de terra distribuídos aos colonos: cem hectares.
...
O chefe e árbitro de cada agrovila é um técnico rural contratado pelo INCRA, que os colonos apelidaram de 'prefeito'.
Ele mora no núcleo e possui a assessoria permanente de um assistente social e de um engenheiro agrônomo,
Diariamente o prefeito percorre os lotes de sua jurisdição, orientando os colonizadores em seu trato com a terra.  Com tal assistência, acredita o governo, que a erosão causada pelas chuvas e detida pelas curvas de nível, será em grande parte atenuada e as terras poderão produzir durante vários anos sem necessidade de adubos.
Cabe ainda ao prefeito a superintendência dos diversos serviços da agrovila, inclusive o do posto de venda de gêneros alimentícios e a farmácia.  Cada colono, ao instalar-se na terra e durante um prazo que pode estender-se até oito meses, percebe um salário mínimo regional mensal(Cr$182,80), que tanto pode ser havido em dinheiro como em gêneros.
Dos cem hectares, o governo desmata quatro para o plantio inicial.  Posteriormente, financia os futuros desmatamentos à razão de trezentos cruzeiros por hectare.
É proibido derrubar mais do que cinquenta hectares de mata por lote, já que os cinquenta restantes serão destinados à reserva florestal e biológica.
...
Até maio de 1972, o INCRA tinha instalado sete agrovilas no trecho localizado entre as cidades de Marabá e Altamira.  Colonos de vinte e um Estados da Federação ali estavam localizados. A maioria é oriunda do norte e nordeste, se não, vejamos a distribuição:
Pará - 200 famílias; Ceará - 175 famílias; Rio Grande do Norte - 125; Minas Gerais - 90; Pernambuco - 80; Maranhão - 70; Piauí - 69; São Paulo - 60; Rio grande do sul - 53; Paraíba - 49; Paraná - 43; Alagoas -30; Goiás - 28; Sergipe - 20; espírito Santo - 19; Santa Catarina -8; Guanaara -3; Acre -1; Amapá - 1; Rondônia - uma família.
...
Cerca de mil famílias oriundas do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, Maranhão e Pernambuco, sem paciência de esperar pela seleção, ali se fixaram, por lotes por eles próprios desmatados e qwue já começaram a cultivar. Diante do fato consumado, o INCRA decide regularizar a situção dos 'invasores'.
A cada família será atribuído também um lote de cem hectares. sendo-lhes proporcionadas as mesmas facilidades com que os demais colonos são beneficiados.
...Amanhã ou depois(e esse amanhã já é quase hoje), quem viajar pela Transamazônica, saindo de Recife e de João Pessoa, rumo ao Peru, num itinerário de 5.500 quilômetros em meio a floresta até há pouco virgem - deparará com um rosário intermitente de agrovilas, possuindo, no intervalo entre uma e outra e a cada quinhentos metros, uma casinha instalada em meio a uma lavoura.
E mais, a cada cinquenta quilômetros o INCRA vai erguer uma Agrópolis, ou seja, uma superagrovila, Esta se situará também, defronte à estrada, numa área de trezentos hectares, dos quais cento e sessenta serão urbanizados.  A Agrópolis terá 176 lotes, com uma casa cada um, devendo, teoricamente, abrigar 2.380 habitantes.  Cada Agrópolis, portanto, será a capital de núcleo de agrovilas e, em seu território serão instalados armazéns e silos, grupo escolar e ginásio, posto medico e hospital para pequenas cirurgias, além de posto de gasolina e motel para turistas."

Muito bom! O relato acima faz parte da saga do jornalista Flávio Alcaraz Gomes, que durante o governo do General Médici, escreveu o livro  Transamazônica - a Redescoberta do Brasil, após ter viajado e verificado in loco como iam as obras.
O próprio Alcaraz nos dá uma dica das dificuldades que tal monumental projeto enfrentaria quando no capítulo lll, "A ocupação da terra", identifica problemas, barreiras e vícios de comportamento por parte dos funcionários do INCRA, que certamente foram determinantes para o andamento da epopeia. Ele estranha: 
"Somente na área de Altamira possui setecentos e oitenta e dois funcionários, a maioria dos quais com seu salário engordado por polpudíssimas gratificações. E em que pese  a burocracia do Instituto e a 'importância' de alguns de seus servidores(um certo Dr. Fonseca Neto, seu delegad em Belém, me fez tomar chá de cadeira durante várias horas sem dignar-se a me receber), o INCRA dá a impressão de estar desempenhando a contento suas funções."
O livro foi publicado em 1972 pela Cultura.

19 outubro 2015

A Conspiração Franciscana - John Sack

"Ela crescera no interior, numa castella, decerto rodeada por um vilarejo sem cultura. Ele, no porto comercial de Ancona e na atmosfera de Paris. Mas ele também conhecia os vilarejos. Certa vez, viajara pela região atrasada ao sul da Úmbria, desembarcar em Paris,
Por dois meses, tinha perambulado por vales calorentos e estreitos até  chegar a Assis, mais so norte. Quando passava pelos vilarejos minúsculos, os olhares sombrios das mulheres o seguiam por trás das portas abertas e observavam a parte debaixo do corpo dele, como se medissem sua masculinidade. caso ele se voltasse com um olhar zangado, elas escondiam o rosto nas mãos e espreitavam-no entre os dedos. "Não aceite nada para beber dessas mulheres", diziam os anciãos dos vilarejos, em tom de advertência, "nem vinho, nem um copo d'água". São bruxas, todas elas, e misturam poções do amor na bebida sem que você perceba." Os homens então aproximavam seus rostos amarelados e enfermos do dele, e falavam, cuspindoo em sua orelha: "Uma mistura de sangue mesntrula com ervas." Eles também o preveniram para não dormir nas grutas fora dos vilarejos, pois eram habitadas por gnomos, as almas penadas das crianças que tinham morrido sem batismo. Todos os homens sonhavam em capturar uma dessas criaturas pelo capuz vermelho, é claro, para força-la a mostrar-lhes tesouros escondidos. O jovem frei Conrad, porém, ficaria mais seguro dormindo na igreja local. Ele havia parado em muitas cidades assim, e as mulheres sempre corriam até a igreja para confessar os pecados em seus vários dialetos, argumentando que não podiam confiar  no padre local as intimidades que lhes passavam na alma.
Tanto quanto as podia compreender, essas mulheres consideravam o amor carnal uma propensão natural, a que nenhuma força de vontade, boa intenção ou castidade podiam resistir. Se um homem e uma mulher se encntrassem sozinhos em um local afastado da vista dos outros, nenhuma força dos céus e da terra conseguiria evitar que copulassem rápido e sem dizer palavra, como acontece quando um animal macho encontra uma fêmea no cio - e aquelas mulheres pareciam estar eternamente no cio. Ele percebia o desejo mal reprimido nas palavras delas, mesmo durante a confissão; no exalar lento no respirar terminando com um suspiro prolongado. desconfiava que elas, na realidade, se confessavam com o padre do vilarejo - e com assiduidade -, mas que procuravam o padre, como agora vinham até ele, para algo além do perdão de seus insaciáveis desejos. E se Amata tivesse crescido num ambiente assim, de paixões descontroladas, com as mesmas necessidades primitivas, num mundo em que até o mais baixo dos códigos de conduta moral não vigorava?
Não parecia muito provável, Conrad concluiu. Ela pertencia à pequena nobreza e já mencionara a religiosidade do pai. Não obstante, alguma coisa devia ter acontecido para destruir a 
inocência de sua infância.
Finalmente, sentou-se na cadeira diante dela."

Trecho extraído do livro A Conspiração Franciscana", iniciei sua leitura quando ainda morava em São Paulo, mas os trâmites da mudança interromperam a leitura. retomo agora, quase dois anos depois e outros livros intermeando-o. E não nega fogo.
Chega certeiro, o I Ching, e compartilho trechos saborosos como este, com Joseph e Camille. E contigo.
A Conspiração Franciscana trata de forma romanesca, mas empregando dados reais, de um período complicado, repleto de aceleração como ocorre com algumas fases da história do desenvolvimento humano, foi escrito por John Sack, e publicado no Brasil pela Sextante. Adquiri-o em um sebo na Av. São João, em São Paulo

29 setembro 2015

Façanha é brotação

Eu estou sem meu computador, estar aqui sem enxergar no meu padrão estabelecido, em outro teclado, é uma façanha.
Façanha
Lasanha
lá fora, mato
Mata Atlântica
cercada por
Bilhões de humanos solenes
e ainda,céleres
enquanto
alguns sábios
e outros estudados comem lasanha na estação espacial,
alimentam-se ilhados monitorando câmeras
focadas na água salgada
Uma façanha seria fazer um mato!
Uma façanha...

13 setembro 2015

Cronos era um Coelho, mas Réia era uma Deusa

Desde aquela época, lutamos com os impulsos que nos aproximam dos instintos animais.
Tu sabes quando. Para cada um há uma "aquela época" bíblica, histórica, ou determinada pela trajetória pessoal, em que então aquela época é substituído por "aquela fase". Os que usam aquela fase como parâmetro, são mais focados em si mesmos e neste caso a vitória sobre o padrão pode ser mais facilmente obtida, uma vez que o que tem o poder de auto-crítica, é apto a vencer, ou ao menos não desistir de tentar superar-se.
Hoje, o coelho matou seus filhos. Eram quatro, e foi muito triste para  nós, descobrir que a coelha estivera prenhe e parira à noite, sem que déssemos pelo fato - nem gestação, nem parto.
Sermos surpreendidos por esta ocorrência natural que compreende o macho coelho matar a cria para induzir a coelha a entrar no cio novamente não diminui a surpresa e comoção ante o quadro horrendo que é encontrar os bichinhos mortos abaixo da grade da casa da mãe. 
Desde que descobrimos que a dupla de coelhas não era irmãs, e sim um casal, temos nos dividido na tarefa de guardar o coelho à noite no galpão e de dia, um dia soltar ele e outro, ela, que à noite fica sempre em sua casinha. 
Hoje era dia dela ficar solta. Ele, então, tiramos do galpão e colocamos na casinha, para mesmo preso, tomar sol.
Não percebemos que haviam cruzado no último mês, e em verdade, podemos jurar que não cruzaram, e aí está até onde podemos jurar pelas intenções e ações de outrem. 
Em algum momento terão estado juntos, e foi o que bastou para que hoje soframos este impacto de, ao soltar ela e prendê-lo em sua casinha, alguns minutos depois tenhamos encontrado os quatro filhotes mortos sob a grade. 
Camille e Joseph recolheram os filhotinhos, que Joseph encontrou e imaginou serem uma safra de camundongos que a gata Tai teria deixado sob a gaiola. 
Eu fui, trêmula, conferir e não percebi serem filhotes do casal que tanto amamos.  Foi Camille, quem os identificou, que os recolheu e para minha vergonha, eu passei tão mal que não pude ajudar em nada.
Decerto tenho servido para outras coisas, ou, se vós julgais que não sirvo, ainda assim, eu gostaria de permanecer viva, pois para mim e para ações que não pedem recolher mortos, eu sirvo.
Enquanto Camille recolhia os filhotes, três abaixo da gaiola e um dentro, atrás da caixinha onde a coelha dormia, Joseph prendia o coelho no galpão.
Eu sofria, e a coelha, observava de longe, mordiscando algumas folhas entre  relances de aparente interesse
Em verdade, minutos antes, logo após sair da casa ela tentou explicar alguma coisa, mas não esteve nem perto de protestar veementemente.
Agora que "tudo havia passado", ela não demonstrava nada além de apetite, devorando o repolho que foi a única coisa que ocorreu-me oferecer-lhe a guiza de calmante, que eu sim, precisava mais, aparente e intimamente.
Estas ocorrências que acabam assim, quando gentificamos nossos animaizinhos de estimação geram traumas e lembranças inesquecíveis.
Concluo que não temos condições de cuidar de um casal de coelhos, pois se nosso cuidado e esquemas mirabolantes para atender melhor deram nisso...
E se não podem nem se olhar, que engravidam, melhor será não torturá-los pela ansiedade do encontro impossível. 
Coloquei um à doação, mas o emocional à mil, a culpa a milhões me levam a concluir, que se não fui eficiente, quem deveria ir embora sou eu. 
Embora eu tenho cuidado bem dos meus filhos...
O vizinho, um criador experiente, um dia me ensinou; disse que quando a coelha fica prenhe, ela remove o pelo da barriga e constrói um ninho. Desta forma, quando descobrimos que eram um casal, não duas irmãs, vigiamos todos os dias a pança da fêmea, que está e esteve sempre peluda como quando era menina.
Foi uma fatalidade, e todos estamos chocados e tristes.
O mundo governado pelo instinto é muito cruel para o espirito que o observa.
Desta forma, como punir a corrupção que degenera relações, que torna os homens praticantes da ferocidade animal? 
O homem é condenável quando consciente de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus, entrega-se a corromper e se deixa corromper, porque tem a capacidade de observar e auto-criticar-se, mas e quando não o faz, quando suas escolhas nunca privilegiarão a visão espiritual que leva a moral e a ética, que o outro o puna, que a sociedade o julgue e condene. resulta em aprimoramento e regeneração, em evolução?  
Ou o guiado somente por instintos, verá unicamente a privação imposta, da descontinuação da vida no crime, da prisão e do castigo a ele imposto, não relacionando a causa em que atuou à consequência que sofre?
A coelha está pronta a copular novamente, o coelho não entende que para fazer sexo o mais rápido possível, o obstáculo que remove é a vida dos seus filhos.
Assim como no caso dos políticos corruptos, que parece que não relacionam a origem do seu poder, o contrato que assumem com o povo, a necessidade de trabalho pela melhoria da qualidade de vida do contratante. E estando no poder, tornando-se coelhos, deitam a eliminar o que for empecilho a uma animalidade que escondiam antes de serem eleitos.
Eu tenho a responsabilidade de impedir que o que nos tocou imensamente, hoje, ocorra novamente, porque está visto que o coelho nunca fingiu não ser coelho. Para isso terei que analisar meus sentimentos e desligar-me de um destes bichinhos aos quais venho dando tanto carinho e sentindo-me tão privilegiada, quando o retribuem com aconchego no meu colo, ou adormecem ao receber carinho nas orelhas, enquanto cozinho, desenho ou escrevo, e um deles, está sempre aos meus pés. 
Como é difícil escolher qual deles vai para doação, e ainda, ainda que o consigamos, será que será tão amado e bem cuidado quanto aqui, será que a pessoa que o levar entenderá que o motivo que faz com que não possamos ficar com os dois tem tantas facetas, será que não sentir-se-á tentada a livrar-se dele ou dela no primeiro momento de enfado?
Nâo. Não doaremos nenhum.




18 agosto 2015

Dilma, a Provocante

A presidente Dilma, em resposta a enorme rejeição popular ao seu governo, afirmou que ela "aguenta bem a pressão", isso após os protestos ocorridos no último domingo. 
Está ai uma característica comum a todo tirano: menosprezar a vontade do povo.
Ocorreu com o ditador do Paraguay, que empurrou para a morte todo contingente de homens do seu país durante a Guerra do Prata. Seu exército estava derrotado, encurralado pela tríplice aliança formada por Argentina, Brasil e até paraguaios, se fosse sensato, render-se-ia, mas este tipo de ato arrazoado não integra a cartilha de ditador algum, e após mandar os adultos, Rosas enviou crianças para as batalhas, os meninos disfarçavam-se com bigodes postiços e iam para a linha de fogo.
Tiranos não cedem, não ponderam, não aceitam a decisão da maioria, quem está abaixo das suas botas não passa de instrumento de perpetuação no poder. Tiranos não se rendem. E tem umas ideias raras, sobre como o mundo deve comportar-se para com eles. 
É sabido que a história é contada pelos vitoriosos, mas evidências como a falta de amor e cuidado para com seu povo, demonstrada por Rosas, são irrefutáveis.
Fidel Castro, afirmou recentemente que os Estados Unidos devem uma compensação monetária a Cuba devido ao embargo sofrido pelo seu país desde que ele se fez imperador vitalício. 
Na minha concepção, Fidel deveria pedir perdão aos que lesou e obrigou a viver sob duras condições, tão somente para mantê-lo no poder. Fidel deve ressarcimento às famílias que aleijou durante seu governo ditatorial. A família de Fidel deveria ser responsabilizada, já que seu filho assume agora o posto de Fidel. 
É uma monarquia, o sistema de governo em Cuba? 
O imperador Fidel, do corrente uso do "cortem-lhes a cabeça" é um que pressão alguma demove do cabeçadurísmo.  
Dilma aguenta a pressão, sim, e não tem vergonha, não. Nem juízo. E não respeita a Constituição
Agora, como provocação máxima, nomeou como líder do governo um senhor cujo assessor foi flagrado em 2005, levando dinheiro escondido na cueca para o exterior. 
É para esta mulher que devemos respeito? 
É a um tipo assim, que todos nós honramos, elegendo como  presidente do Brasil? 
Na época em que foi eleita, Dilma mostrava outro perfil, declarava outras intenções. Golpe!

17 agosto 2015

Sou Única

"A razão por que muitas aventuras têm início é que os aventureiros ficam sentados diante da lareira, em confortáveis livings e sem ter a menor ideia de onde se estão metendo. Espreguiçam-se na poltrona longe do frio, da chuva, do vento ou da tempestade e dizem, puxa, está na hora de alguém descobrir o Pólo Norte. Mergulham num sonho de glórias e, uma hora mais tarde, ainda sonhando, põem rodas  a andar, desdobram mapas,  incitam outros aventureiros a mudar de vida, a dizer 'Porque não?' e 'Claro que pode ser feito, eu estou nessa!' - eles próprios envoltos numa nuvem de fantasia, onde as dificuldades e os problemas são apenas palavras que os timoratos procuram nos dicionários."

Extraí do livro O Dom de Voar, de Richard Bach, editado no Brasil pela Editora Record, um exemplar de uma sexta edição que adquiri em um sebo em Mariluz.
Muito obrigada por tudo! Só perde tempo comigo quem pensa que vou me meter em concurso de beleza física, aos quase cincoenta, sendo avó, mãe de quatro filhos e não assídua em tratamentos cosméticos. Mas um concurso que privilegie gana por por aprender...esse está no papo. Faço sombra.

Foto: Joseph Hawkins

16 agosto 2015

Perdeu

Tempo! Tantas vezes a competitividade é tomada por competência em nossos relacionamentos, que até mesmo quem tem bem clara a diferença entre o ato da comparação e o saldo da contagem de pontos extras, acaba se deixando envolver.
Eu não posso competir, assim, gratuitamente somente porque sou desafiada, já vou avisando, pois estou envolvida demais com meu aprendizado e crescimento. Ainda mais por quem tem o costume. ainda mais pelos viciados. Não dou nem pro início, nestes caso, eu nem quero entender nem dedicar tempo e espaço para isso.
Eu sou flor sorrindo de pétalas ao vento.
Sou pedra rolando em cantante regato limpo.
Sou polenta bonita por ser amarela, borbulhando na promessa nutritiva.
Sou um rádio ligado nas manhãs de sábado.
Sou a alegria no banho de mar.
Sou a jornada diária pela estrada campestre.
O cheiro do mato depois da chuva
Do plástico novo na pasta escolar.
As cores pastosas, o boom da terebentina aberta depois de meses sem pintar.
Sou caminhar de mãos dadas com uma criança.
Ficar parada de mãos dadas com uma criança.
A conversa com uma amiga que não conhecia, na rua.
A cura de uma pequena doença através de um chá.
O receio pelo destino da humanidade.
A preocupação pelas minhas dívidas
A ansiedade pelas dúvidas
A reação imediata e o perdão certo.
Sou isso quando estou em mim e tantas coisas mais.
Mas não faço massagem, 
não tenho dinheiro, carrão sensacional, ninguém me assessora, não posso sustentar esquemas fabulosos de ostentação não posso viajar quando e para onde eu quiser, e eu tenho que decidir tudo sozinha.
Amanhã é segunda-feira e tenho que alimentar os bichos, lavar roupas, limpar a casa e estudar inglês - sozinha. 
Amanhã eu devo não sentir mais cólicas, devo sentir pressa e no final do dia sentirei canseira. 
Amanhã preciso fazer algo que prometi a alguém, ao menos iniciar, que era para ter feito no mês passado, mas que não fiz porque me envolvi em coisas maiores do que minha capacidade de resolver.
Amanhã - que tal se alguma coisa falha e eu tiro tempo para - escrever sobre a propriedade do Príncipe Charles com sua plantação de macieiras com mil variedades, e sobre o plano para redução do aquecimento global, lançado pelo Presidente Obama. Sobre o acordo do governo dele com o Irã, visando o não desenvolvimento de armas nucleares.
Se amanhã não puder fazer algo, sigo desenvolvendo as ideias, que me acompanharão até que estejam maduras.
Tudo tem um norte e um sentido, mas competir para ver quem tem mais bens que proporcionam qualidade, eu não tenho vontade, nem posso!
Eu passo a vez porque estou em paz no meu agosto, sei que o que é meu está guardado.
Eu nem sei porque certas pessoas insistem em competir, ao invés de cooperar. Decerto porque não podem cooperar e não possuem a humildade de pedir socorro, deduzo que é como aquele dito "gol, quem  não faz, leva!", então, será que quem não coopera para a leveza, é porque carece dela? 
Não apreendo o vício de competir por banalidades, no amor, na amizade, tornando tudo um inferno que não permite que ninguém seja o que é.
Que os grupos afinados compitam em seu jogo previamente acertado, não questiono, o que não gosto é quando me puxam pro fogaréu, decerto porque se irritam ao ver gente lendo em seu canto. Quietinho, parado, pensando.